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Exploração de ouro em Moçambique: o que o satélite mostra antes de pedir a licença

Manica, Niassa, Zambézia: três províncias, três tipos de ouro e três maneiras diferentes de o satélite ajudar ou falhar. Este artigo sobre a exploração de ouro em Moçambique junta o quadro legal que consegui confirmar em fontes oficiais, o que se sabe da geologia, e o que as imagens de satélite conseguem e não conseguem ver sob a mata de miombo e na época das chuvas.

País Moçambique
Título de pesquisa Licença de Prospecção e Pesquisa
Leitores Titulares, pequenos mineiros, investidores
Língua Português
19 998 haÁrea máxima de uma Licença de Prospecção e Pesquisaoutros minerais, que não os de construção
5 + 3 anosValidade da licença de pesquisa5 anos, renovável uma vez por até 3
~9 haUma unidade cadastralquadrilátero de 10 segundos sexagesimais
6%Imposto sobre a Produção Mineirametais preciosos, incluindo ouro
37 + 2Empresas e cooperativas notificadas em Manicasuspensão da extracção de ouro, Outubro de 2025

A exploração de ouro em Moçambique esbarra, quase sempre, em duas perguntas que não se respondem com o mesmo mapa. A primeira é jurídica: a área está livre no Cadastro Mineiro e que título a Lei de Minas deixa pedir? A segunda é geológica: dentro desse polígono há alteração, estrutura e rocha hospedeira que justifiquem pagar trabalho de campo? Na exploração de ouro em Moçambique, quem só responde à primeira acaba com uma licença sobre terreno estéril. Quem só responde à segunda descobre tarde que a área já tem dono.

Experimente: calculadora do imposto sobre a superfície de uma licença →

“Em Moçambique, o direito de preferência ao título pedido é dado pela prioridade da submissão do pedido ao Instituto Nacional de Minas.”

⚠ A lei mudou em 2026: confirme antes de agir
Os prazos, áreas e taxas desta página vêm da Lei n.º 20/2014 e do Regulamento (Decreto n.º 31/2015). Segundo a imprensa oficial moçambicana, a Assembleia da República aprovou em 8 de Maio de 2026 uma nova Lei de Minas, e a análise de um escritório de advogados indica que foi promulgada a 3 de Junho de 2026 como Lei n.º 7/2026. A regulamentação e o texto no Boletim da República não os consegui confirmar. Trate os números abaixo como o regime anterior e valide-os no INAMI ou na Autoridade Reguladora de Minas.
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Quem regula a exploração de ouro em Moçambique e que títulos existem

O quadro de base é a Lei de Minas (Lei n.º 20/2014, de 18 de Agosto) e o seu Regulamento, aprovado pelo Decreto n.º 31/2015, alterado depois pelos Decretos n.º 34/2019 e n.º 48/2022. É o Ministro que superintende os recursos minerais quem decide sobre os pedidos. O pedido é entregue ao Instituto Nacional de Minas (INAMI), que o regista e o tramita. Segundo o resumo da Hogan Lovells sobre a lei nova, o INAMI dá lugar à Autoridade Reguladora de Minas, e o relato da AIM sobre a votação acrescenta a proibição de vender minerais não processados e a reserva de áreas para a mineração artesanal e de pequena escala.

Para quem quer fazer exploração de ouro em Moçambique, a pergunta prática é qual dos títulos serve. O Regulamento separa a pesquisa da lavra e deixa a pequena escala num regime próprio. A tabela resume o que lá está escrito.

Título Quem o pode ter Validade Área máxima Notas
Licença de Prospecção e Pesquisa (outros minerais, incl. ouro) Pessoa colectiva registada em Moçambique 5 anos, renovável uma vez por até 3 anos 19 998 ha Libertação progressiva de área a partir do fim do 2.º ano
Licença de Prospecção e Pesquisa (recursos para construção) Pessoa colectiva registada em Moçambique 2 anos, renovável uma vez por igual período 198 ha Areia, pedra, argilas de construção
Concessão Mineira Pessoa colectiva registada em Moçambique 25 anos, prorrogável uma vez por igual período (máximo 50) Definida no pedido, em unidades cadastrais Pode ou não nascer de uma licença de pesquisa
Certificado Mineiro Pessoa nacional (singular moçambicana, ou colectiva de capital maioritariamente moçambicano) 10 anos, prorrogável por períodos iguais 297 ha (outros recursos) Pequena escala; para metais preciosos, produção bruta anual até 12 kg
Senha Mineira Mineração artesanal, em áreas designadas Até 5 anos, prorrogável sucessivamente 90 ha por área designada As áreas são declaradas por diploma do Ministro
Quanto tempo dura cada título mineiro Licença de pesquisa 5 mais 3 anos; construção 2 mais 2; concessão 25 mais 25; certificado 10 anos renovável; senha até 5 anos renovável. Quanto tempo dura cada título mineiro Anos de validade inicial e prorrogação máxima prevista no Regulamento Licença de pesquisa, outros minerais 5 até 8 anos Licença de pesquisa, construção até 4 anos Concessão Mineira 25 +25 até 50 anos Certificado Mineiro 10 10, renovável Senha Mineira 5 5, renovável Validade inicial (anos) Prorrogação máxima (anos) Fonte: Decreto n.º 31/2015 (Regulamento da Lei de Minas, versão consolidada), arts. 34, 51, 106 e 116.

A licença de pesquisa dá no máximo 8 anos de trabalho. Quem espera ter um depósito a meio desse prazo tem de pedir a Concessão Mineira antes de a licença caducar: o Regulamento mantém a licença válida enquanto o pedido de concessão for decidido.
🔑 Quem fica de fora, e porquê interessa
Só uma pessoa colectiva constituída e registada em Moçambique pode receber uma Licença de Prospecção e Pesquisa ou uma Concessão Mineira. Um investidor estrangeiro precisa, portanto, de uma sociedade moçambicana, e o Certificado Mineiro exige capital maioritariamente moçambicano. Isto muda a ordem das tarefas: antes de encomendar qualquer estudo, é preciso saber que entidade vai assinar o pedido.

O que o pedido de licença exige, e quanto tempo demora

O artigo 30 do Regulamento lista o que acompanha o pedido de Licença de Prospecção e Pesquisa. Há a ficha de licenciamento, a prova de capacidade técnica e financeira, os estatutos, o NUIT e a certidão de quitação fiscal. E há o programa de trabalhos, que tem de incluir um programa de gestão ambiental e o respectivo orçamento. A área é pedida em unidades cadastrais. O Ministro decide no prazo de 90 dias a contar da submissão, e a decisão é notificada em 10 dias. Se o INAMI pedir correcções e o requerente não responder em 15 dias, o pedido é considerado nulo e a área fica livre outra vez.

É no programa de trabalhos que o pedido ganha ou perde credibilidade junto do regulador. Um programa que se limita a dizer “geoquímica e sondagens” sem apontar onde fica fraco. Um programa que parte de alvos delimitados em imagem de satélite, com prioridades e orçamento por fase, responde melhor ao que o artigo 30 pede.

Exploração de ouro em Moçambique: como confirmar que a área está livre no Cadastro Mineiro

O Regulamento define o Cadastro Mineiro como o sistema de registo e administração do licenciamento a nível nacional, com informação textual e gráfica, e prevê um atlas cadastral que mostra os títulos em vigor, as áreas designadas de senha mineira, as reservas e as áreas vedadas. Para quem prepara exploração de ouro em Moçambique, o mapa público existe no portal de mapas do Cadastro Mineiro de Moçambique, de acesso aberto. O portal traz a marca Landfolio (Spatial Dimension). Como a prioridade se conta pela data de submissão, o mapa serve para triagem, mas a confirmação de que um bloco está livre faz-se no INAMI.

A unidade de medida é a unidade cadastral. No regulamento de 2015 é um quadrilátero de 10 segundos sexagesimais, com cerca de 9 hectares e vértices em múltiplos de 10. No regulamento de 2006, já revogado, eram 15 segundos e cerca de 20 hectares. Convém não misturar as duas definições quando se lêem relatórios antigos. Uma licença de pesquisa de 19 998 hectares corresponde a pouco mais de 2 200 unidades cadastrais.

Quantos hectares cabem em cada título Licença de pesquisa 19 998 ha; certificado 297 ha; pesquisa de construção 198 ha; água mineral 117 ha; senha 90 ha. Quantos hectares cabem em cada título Limite máximo de área, em hectares (escala logarítmica) 100 1 000 10 000 Licença de pesquisa, outros minerais 19 998 ha Certificado Mineiro, outros recursos 297 ha Licença de pesquisa, construção 198 ha Licença de pesquisa, água mineral 117 ha Área designada de Senha Mineira 90 ha hectares (escala logarítmica) Fonte: Decreto n.º 31/2015, arts. 35, 61, 98 e 116.

Os limites de área abrangem três ordens de grandeza. Uma Senha Mineira cobre menos de 0,5% do que uma licença de pesquisa pode cobrir.
💡 Pesquise o balcão antes do mapa
O INAMI fechou o Cadastro ao público em 16 de Dezembro de 2024 para actualizar o sistema informático, e a reabertura do balcão foi adiada para 30 de Abril de 2025, segundo uma nota da DLA Piper Africa de Março desse ano. Durante o encerramento continuaram a ser aceites prorrogações, relatórios e comprovativos de pagamento. Não consigo dizer qual é o estado hoje: telefone ou escreva ao INAMI, ou à Direcção Provincial dos Recursos Minerais e Energia, antes de planear prazos em torno de uma submissão.
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O custo de segurar a área: imposto sobre a superfície por hectare

Antes de gastar em campo, convém saber quanto custa só ter a área parada. Qualquer orçamento de exploração de ouro em Moçambique deve começar por esta linha. O Imposto sobre a Superfície (ISS) é devido todos os anos e incide sobre os hectares do título. A Lei n.º 15/2017, que alterou o regime específico de tributação da actividade mineira, fixa 30 MT por hectare para o Certificado Mineiro nos primeiros cinco anos e 50 MT a partir do sexto. As linhas da licença de pesquisa e da concessão aparecem em branco no texto publicado que consultei. Para elas usei o capítulo de Moçambique do Chambers Mining 2025: a licença de pesquisa paga 17,50 MT/ha nos anos 1 e 2, 43,75 no ano 3, 91 nos anos 4 e 5, 105 no ano 6 e 210 nos anos 7 e 8. A concessão paga 30 MT/ha até ao quinto ano e 60 depois.

Imposto sobre a superfície por hectare, ano a ano Licença de pesquisa: 17,5; 17,5; 43,75; 91; 91; 105; 210; 210 MT por hectare. Concessão: 30 nos anos 1 a 5 e 60 depois. Imposto sobre a superfície por hectare, ano a ano MT por hectare e por ano; licença de pesquisa comparada com a concessão 0 50 100 150 200 250 MT/ha 17.5 Ano 1 17.5 Ano 2 43.75 Ano 3 91 Ano 4 91 Ano 5 105 Ano 6 210 Ano 7 210 Ano 8 Licença de pesquisa Concessão Mineira Fonte: Chambers Mining 2025, capítulo de Moçambique (valores do regime anterior à lei de 2026).

O imposto da licença de pesquisa multiplica-se por doze entre o primeiro e o sétimo ano. Quem guarda área sem trabalhar paga cada vez mais por hectare.

Somadas, as oito taxas anuais da licença de pesquisa dão 785,75 MT por hectare. Numa licença de 100 hectares são quase 78 600 MT ao longo de oito anos, sem contar o trabalho de campo. O efeito é o do artigo 42 do Regulamento: a libertação progressiva de área começa no fim do segundo ano, e o imposto crescente empurra no mesmo sentido. Em exploração de ouro em Moçambique, a decisão racional é pedir o bloco que o estudo prévio aponta como mais promissor e libertar cedo o resto.

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Imposto sobre a superfície de um título mineiro em Moçambique

ha

anos

—

Pressupostos: taxas anuais em MT por hectare do Chambers Mining 2025 (licença de pesquisa e concessão) e da Lei n.º 15/2017 (certificado), vigentes no regime anterior à lei de 2026. Não inclui taxas de tramitação (Anexo 9 do Regulamento), nem o imposto sobre a produção, nem custos de trabalho. Confirme os valores no INAMI e na Autoridade Tributária.

📈 Nota para o investidor: 6% sobre o ouro vendido
O Imposto sobre a Produção Mineira (IPM) é de 6% para metais preciosos, pedras preciosas e semipreciosas e areias pesadas, segundo o artigo 12 da Lei n.º 15/2017. É um imposto sobre o valor do produto mineiro extraído, não sobre o lucro. Para um projecto de pequena dimensão pesa mais na viabilidade do que o ISS. Informação geral, não é aconselhamento de investimento nem fiscal.

Onde está o ouro: Manica, Niassa, Zambézia e o resto do mapa

Na exploração de ouro em Moçambique nem todo o ouro é igual, e isso decide que técnica de satélite faz sentido. Há três situações que convém separar: o cinturão arqueano de Manica, o ouro dos terrenos metamórficos do norte, e o ouro aluvionar espalhado por rios de várias províncias.

Manica, o cinturão de rochas verdes da exploração de ouro em Moçambique

O cinturão de rochas verdes de Manica é arqueano e faz parte do Cráton do Zimbabwe. A dissertação de Manhiça, da Universidade de Pretória, descreve xistos máficos a ultramáficos e serpentinitos da Formação Macequece, com assinatura química semelhante à dos komatiitos, e metassedimentos da Formação M’Beza Nengo. As estruturas arqueanas correm de E-W a SW-NE, as da Faixa Móvel de Moçambique de N-S, e a área divide-se em blocos de grau metamórfico baixo, médio e alto. O trabalho clássico sobre o ouro da região, de d’Orey (1992), conclui que a génese do ouro foi controlada pela estratigrafia e que eventos estruturais e metamórficos ligados a granitos tardios o concentraram e redistribuíram em ambientes geológicos diferentes.

Para a exploração de ouro em Moçambique, esta conclusão quer dizer duas coisas. Primeiro, as rochas verdes e os contactos com os granitos são o que se cartografa. Segundo, a geometria complicada (dobras, falhas, contactos) é o tipo de informação que a imagem de satélite e os modelos de elevação ajudam a ler, enquanto o ouro em si, por ser raro e fino, não aparece em nenhuma banda.

A pressão humana é grande. Numa reunião do Conselho Executivo Provincial em Julho de 2024, segundo a agência AIM, falou-se de mais de 10 000 garimpeiros em Manica e de uma meta de mais 800 quilos de ouro nesse ano nos distritos de Manica, Sussundenga, Macossa e Báruè. Os rios Révuè, Púnguè, Mussapa e Nhancuarara foram apontados como os mais poluídos.

⚠ Manica 2025: licença válida não é licença para operar
O Conselho de Ministros decidiu, no fim de Setembro de 2025, suspender a extracção de ouro em toda a província. Segundo a AIM, foram notificadas 37 empresas e duas cooperativas, e só eram permitidas manutenção e protecção do local. A RTP acrescenta que foi criada uma comissão interministerial para rever o licenciamento e definir zonas autorizadas. Não encontrei fonte sobre o levantamento da suspensão. Quem compra ou financia um projecto em Manica deve perguntar por escrito qual é a situação actual.
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Niassa, Zambézia e Nampula: terrenos metamórficos e ouro aluvionar

O norte de Moçambique pertence à Faixa Móvel de Moçambique. Os mapas geológicos da região, publicados no âmbito de um programa financiado por doadores, cobrem Niassa e Cabo Delgado e partes da Zambézia e de Nampula, como mostra a ficha do mapa no arquivo NERC. Em Niassa, um artigo de imprensa arquivado pela WLSA descreve a zona de Lupilichi, no distrito de Sanga, junto ao rio Rovuma, onde operam garimpeiros individuais e associados e uma empresa de pesquisa cuja licença o Governo queria cancelar por ter passado mais de 12 anos em prospecção. O recorte não tem data legível, por isso serve de contexto e não de situação actual.

Na Zambézia e em Nampula o rasto documental é outro. O Diploma Ministerial n.º 116/2006, de 7 de Junho declarou 48 áreas designadas de Senha Mineira em várias províncias, e muitas das entradas indicam ouro aluvionar, em distritos como Gilé e Alto Molócuè (Zambézia) e Mogovolas (Nampula). Uma notícia de Novembro de 2025 da AIM diz que o Estado perdeu mais de 200 milhões de meticais com a mineração ilegal na Zambézia nesse ano e que 16 empresas operam legalmente na província, sem nomear o mineral. É um diploma de 2006: serve para saber onde o Estado reconheceu ouro artesanal, não para saber quem tem direitos hoje.

🌱 O mercúrio entra no estudo de área
A AIM refere que a água de rios de Manica tem “alto teor de mercúrio” e deixou de servir para regar. Um projecto de exploração de ouro em Moçambique que se sobreponha a bacias já afectadas herda a pergunta das comunidades a jusante. A triagem por satélite pode mostrar logo no início a distância dos alvos aos rios, às machambas e às zonas de garimpo, e poupar um conflito que um programa de gestão ambiental teria de resolver mais tarde.
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O que um satélite vê e não vê na exploração de ouro em Moçambique

Os satélites não vêem ouro, nem em Moçambique nem noutro sítio. Vêem a luz reflectida pela superfície, e certas alterações hidrotermais (argilas, sericite, óxidos de ferro) deixam marcas espectrais que podem apontar para terreno com mais potencial. Numa região de mata densa e com meia dúzia de meses de chuva, essa afirmação precisa de contrapesos.

Mata, estação das chuvas e solos

Segundo dados da FAO compilados no IndexMundi, a floresta cobria cerca de 46,7% do território moçambicano em 2020. Onde a copa fecha, o sensor óptico lê folhas e não rocha, e as bandas de infravermelho de ondas curtas, que é onde as argilas deixam sinal, chegam sujas pela vegetação. Os melhores alvos de satélite estão, por isso, em afloramentos, clareiras, cortes de estrada, margens erodidas e áreas de garimpo recentes. Parte disto são exactamente os sítios que a mineração artesanal já abriu.

A estação das chuvas também conta. O INAMI diz que ela vai de Outubro a Abril, segundo a AIM, e na época de 2025/26 as chuvas começaram mais de 20 dias mais cedo em grande parte do norte. A nossa regra prática é concentrar a escolha de cenas ópticas entre Maio e Setembro, quando há menos nuvem, e usar radar para o resto do ano.

Época chuvosa e janela de imagens ópticas Chuva de Outubro a Abril; época seca de Maio a Setembro. Época chuvosa e janela de imagens ópticas Mês a mês, segundo o INAMI (Outubro a Abril) Jan chuva Fev chuva Mar chuva Abr chuva Mai seca Jun seca Jul seca Ago seca Set seca Out chuva Nov chuva Dez chuva Época chuvosa (Outubro a Abril) Época seca (Maio a Setembro) Fonte: INAMI, citado pela AIM (30 de Junho de 2026); a divisão por mês é nossa.

Sete meses de chuva significam sete meses em que uma cena óptica limpa é rara. O radar e os arquivos de anos anteriores compensam parte da lacuna.

Sensores: o que cada um dá

O Sentinel-2, segundo a documentação da Agência Espacial Europeia, tem 13 bandas, resolução de 10 m nas bandas visíveis e do infravermelho próximo, e duas bandas de infravermelho de ondas curtas (1 612 e 2 191 nm) a 20 m, com revisita nominal de 5 dias. A banda de 2 191 nm cai na região onde, segundo a biblioteca espectral do USGS, minerais como a moscovite e a caulinite têm uma característica de absorção a cerca de 2,2 µm. O ASTER tem seis bandas SWIR a 30 m, mas segundo o aviso da NASA os detectores SWIR deixaram de funcionar em 2008-2009, por isso só serve o arquivo anterior a Abril de 2008.

O que se procura em Moçambique Sinal de satélite Limite honesto
Alteração argilosa e sericítica em xistos verdes (Manica) Bandas SWIR (Sentinel-2 B11/B12; ASTER antigo) Só onde a rocha ou o solo estão expostos; miombo e sombras apagam o sinal
Contactos entre rochas verdes e granitos, falhas e dobras Modelo digital de elevação, hidrografia, lineamentos, radar Mostra a estrutura, não diz se tem ouro
Ouro aluvionar (Zambézia, Nampula) Geomorfologia de rios, terraços, cicatrizes de garimpo Não há assinatura espectral directa; o satélite só ajuda a priorizar o terreno
Veios de quartzo estreitos Poucas vezes resolvidos Veios de poucos metros ficam abaixo da resolução de 10 a 30 m
Ouro sob cobertura espessa (solo, regolito) Praticamente nenhum Pede geofísica e geoquímica no terreno
🔑 Alvo de pesquisa não é recurso
O resultado de uma análise por satélite é uma lista ordenada de zonas para visitar, não uma estimativa de reservas. Qualquer relatório, nosso ou de outro prestador, que fale de toneladas de ouro a partir de imagem de satélite sem trabalho de campo está a exagerar o que o método dá.
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Dados locais para a exploração de ouro em Moçambique

Antes de contratar uma análise de exploração de ouro em Moçambique, há material público ou obrigatório que reduz o custo de qualquer estudo. A lista é curta, mas cada item resolve uma dúvida concreta.

  • 📊 Boletim da República: é onde sai o texto oficial da lei nova e da sua regulamentação. O Regulamento de 2015 só aparece em versão consolidada fora dele.
  • ✔ Cadastro Mineiro (INAMI) e o portal de mapas: títulos em vigor, áreas designadas e áreas vedadas.
  • Direcção Nacional de Geologia e Minas: segundo o artigo 15 do Regulamento, guarda os relatórios e os dados em bruto de geoquímica, geofísica, fotografia aérea e modelos de elevação produzidos ao abrigo dos títulos, e esses dados são propriedade do Estado. Perguntar o que já existe sobre o seu bloco é a primeira diligência de qualquer projecto de exploração de ouro em Moçambique.
  • ✔ Ministério dos Recursos Minerais e Energia: mireme.gov.mz, com a documentação da revisão da lei e as comunicações do cadastro.
  • Mapas geológicos 1:250 000 do norte: disponíveis através do arquivo geológico britânico, como a ficha NERC acima.

Quem quiser comparar com outros países, tem o nosso guia sobre portais de cadastro mineiro por país.

Como trabalhamos: do polígono ao relatório

A Farmonaut é uma empresa de análise de dados de satélite que aplica observação da Terra e inteligência artificial à exploração mineral. Não somos agente de licenciamento, advogados, corretores nem consultores de investimento, e não pedimos títulos mineiros em nome de ninguém. Na exploração de ouro em Moçambique, como noutros países, fazemos a parte geológica: recebemos o polígono da área (KML, KMZ ou coordenadas), o país e o mineral, e entregamos a análise em 5 a 20 dias úteis, conforme o tamanho e a complexidade. O relatório de detecção mineral por satélite traz zonas de alto potencial, mapas de prospectividade, interpretação geológica (falhas, alteração, rocha hospedeira) e ficheiros SIG georreferenciados. O Premium+ acrescenta o TargetMax™, com orientação de sondagem e modelos 3D do subsolo.

Para a exploração de ouro em Moçambique, segundo as nossas informações, a abordagem reduz o tempo de exploração inicial de meses para dias e pode baixar o custo desta fase em até 80 a 85%, sem perturbar o terreno. Já analisámos mais de 100 000 hectares, mais de 20 tipos de minerais, em mais de 25 países. O exemplo de mapeamento 3D de prospectividade mostra o aspecto de uma entrega típica.

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Tem um bloco em vista para exploração de ouro em Moçambique? Veja primeiro o que há debaixo dele.

Envie-nos o mesmo polígono que irá no pedido ao INAMI. Devolvemos uma leitura de prospectividade por satélite, com zonas ordenadas, geologia e próximos passos, antes de assumir taxas e programa de trabalhos. O orçamento é gratuito; a análise é paga.

📈 Lista de verificação antes de comprometer dinheiro
1) Confirme a lei em vigor e o regulador (INAMI ou o seu sucessor). 2) Verifique no Cadastro que o bloco está livre e que ninguém submeteu antes. 3) Decida que sociedade moçambicana assina o pedido. 4) Faça a triagem por satélite do mesmo polígono. 5) Só depois, orce o programa de trabalhos com o programa de gestão ambiental. Informação geral, não é aconselhamento jurídico nem de investimento.

Perguntas frequentes

Que licença preciso para a exploração de ouro em Moçambique?

Para a fase de pesquisa, a Licença de Prospecção e Pesquisa, que no regime da Lei n.º 20/2014 vale 5 anos (mais até 3) e cobre no máximo 19 998 hectares. Para lavra, a Concessão Mineira. Para pequena escala, o Certificado Mineiro (só pessoas nacionais) ou a Senha Mineira em áreas designadas. Com a lei nova de 2026, confirme os títulos no regulador.

Um estrangeiro pode pedir uma licença de pesquisa?

O Regulamento diz que a licença é atribuída a uma pessoa colectiva constituída e registada em Moçambique. Na prática, o investidor estrangeiro actua através de uma sociedade moçambicana. Peça aconselhamento jurídico local; não damos aconselhamento jurídico.

Como sei se a área já tem dono?

Consulte o portal de mapas do Cadastro Mineiro para triagem e confirme no INAMI, porque o direito de preferência se decide pela data de submissão e o mapa pode estar desactualizado. Verifique também se o bloco coincide com uma área designada de Senha Mineira ou uma reserva.

O satélite consegue detectar ouro aluvionar na exploração de ouro em Moçambique?

Não directamente. O ouro aluvionar não tem assinatura espectral que um satélite meça. O que ajuda é a geomorfologia: leitos antigos, terraços, a geologia de montante e as cicatrizes de garimpo. Serve para priorizar onde amostrar, e é o campo que confirma.

Quanto custa, só em imposto, a exploração de ouro em Moçambique?

No regime anterior, o imposto sobre a superfície da licença de pesquisa soma 785,75 MT por hectare em oito anos, segundo o Chambers Mining 2025. Use a calculadora acima e confirme no INAMI, porque a lei de 2026 pode ter mudado os valores.

A suspensão em Manica ainda vigora para a exploração de ouro?

Não encontrei fonte que a dê como levantada. Em Outubro de 2025 a AIM noticiou a suspensão da extracção de ouro em toda a província. Quem trabalha ou investe em Manica deve obter confirmação escrita do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

A Farmonaut pede a licença por mim?

Não. Não somos autoridade de licenciamento nem agente de pedidos, e os pedidos fazem-se no INAMI ou no seu sucessor. Fazemos a análise geológica por satélite da área que pretende pedir ou já detém, para decidir onde pedir e onde explorar primeiro.

Revisado em outubro de 2026 com base em Decreto n.º 31/2015 (versão consolidada), Lei n.º 15/2017, Chambers Mining 2025, Diploma Ministerial n.º 116/2006, AIM (Maio de 2026, Outubro de 2025, Julho de 2024), Hogan Lovells, DLA Piper (Março de 2025), NASA/JPL e Agência Espacial Europeia. As leis, taxas e a situação em Manica mudam: confirme sempre com a autoridade competente antes de pedir ou pagar o que quer que seja. Nada aqui é aconselhamento jurídico, fiscal ou de investimento. As áreas e prazos são os da Lei n.º 20/2014, substituída em 2026. A Farmonaut não é agente de licenciamento, corretor nem mercado.







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